Novo secretário da Segurança Interna dos EUA aprovado em comissão do Senado por margem curta
A nomeação do senador Markwayne Mullin como novo secretário norte-americano da Segurança Interna, sucedendo a Kristi Noem, foi aprovada, por uma pequena margem, numa comissão do Senado controlada pelos republicanos.
Na sequência da sua audição perante a Comissão de Segurança Interna do Senado, na quarta-feira, Mullin recebeu oito votos a favor e sete contra, incluindo do presidente republicano da comissão, Rand Paul, que tem uma querela pessoal com o nomeado pelo Presidente Donald Trump.
O senador democrata John Fetterman votou com os republicanos, permitindo a aprovação.
A nomeação de Mullin, de 48 anos, ainda requer uma maioria no Senado, onde os republicanos detêm a maioria, em votação ainda não agendada.
Mullin prometeu quarta-feira em audiência no Senado que a agência que irá dirigir não invadirá residências ou locais de trabalho sem ordem judicial prévia, exigência que os seus agentes de imigração têm ignorado desde o ano passado.
"Não entraremos numa casa nem num local de trabalho sem uma ordem judicial, a menos que estejamos a perseguir uma pessoa que entre de forma ilícita num local de trabalho ou numa casa", assegurou Mullin.
A necessidade de ter estas ordens judiciais é uma das condições que os democratas exigem aos republicanos para aprovar o orçamento do Departamento, parcialmente encerrado desde 14 de fevereiro.
Memorandos internos que têm circulado no Serviço de Controlo de Imigração e Alfândega (ICE), dependente do Departamento, desde o ano passado, instruíram os seus agentes a realizar buscas sem a ordem prévia de um juiz.
As negociações, nas quais está a envolver-se até a Casa Branca, continuam abertas à espera de um acordo entre ambos os partidos.
Além disso, na sua audiência no Senado, Mullin esclareceu algumas das políticas que mais tensão geraram nos últimos meses, ao afirmar que o serviço de imigração deveria centrar-se na vigilância de criminosos perigosos em vez de realizar operações comunitárias em massa como as de Minneapolis.
Mullin declarou também que se arrepende dos comentários que fez sobre o manifestante Alex Pretti, assassinado por agentes federais nas manifestações contra as operações de imigração em Minneapolis no passado 24 de janeiro, nos quais afirmava que ele era "um indivíduo perturbado" e alguém que "ia causar o máximo dano".
"Provavelmente deveria ter-me retratado dessas palavras. Não deveria ter dito isso", afirmou Mullin ao senador Gary Peters.
Figura central na política de deportação em massa de imigrantes de Donald Trump, Kristi Noem foi demitida a 6 de março, após tensas audições no Congresso, as primeiras desde a morte, em janeiro, de dois manifestantes que protestavam contra agentes do ICE em Minneapolis.
Segundo os meios de comunicação norte-americanos, o Presidente ficou particularmente irritado quando Noem afirmou ter obtido a sua aprovação para uma campanha publicitária de 220 milhões de dólares destinada a incentivar os imigrantes a regressarem voluntariamente aos seus países de origem, em vez de esperarem pela deportação.
Durante as eleições de 2024 e no início do seu segundo mandato, há um ano, Donald Trump fez do combate à imigração ilegal a sua principal prioridade, referindo-se a uma "invasão" dos Estados Unidos por "criminosos estrangeiros" e promovendo deportações de imigrantes em massa.
O seu programa de deportações em massa foi frustrado ou atrasado por inúmeras decisões judiciais, incluindo as do Supremo Tribunal, predominantemente conservador, sob o argumento de que os visados devem poder exercer os seus direitos.